quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Monumentos históricos permanecem despercebidos pela maioria da população


Riomafra – Das mais de 100 pessoas que passaram ontem pela Praça Hercílio Luz, e foram entrevistas, apenas uma conhecia o relógio de sol, localizado a poucos metros da praça, entre o ponto de ônibus e o ponto de táxi, quase na entrada da ponte Dr. Diniz Assis Henning (ponte metálica). Ao mostrar o relógio a maioria das pessoas se surpreendia como foi o caso da cozinheira Claudete de Elias, de 45 anos, que trabalha em um restaurante em frente ao monumento. “Relógio de Sol? Estou morando em Mafra há 26 anos e nunca ouvi falar, estou surpresa!”, a estudante Ana Paula de Souza, de 15 anos, também não sabia do tal relógio. “Relógio do sol? Em Mafra? Onde? não sei mesmo onde existe!”.
Em Rio Negro, o relógio do sol, localizado na Praça Prefeito Mathias Augusto Bohn, também foi surpresa para a maioria das pessoas que por ali passou. Mas não é apenas a falta de conhecimento das pessoas, praticamente não há registos desses monumentos em livros ou em outros documentos oficiais. Acredita que em Rio Negro o relógio tenha em torno de 40 anos, em Mafra, uma inscrição data o ano de 1992.

O construtor de relógios
A construção de ambos os relógios, é atribuída a Félix Peyrollo Carbajal, uruguaio de nascimento, Carbajal chegou a fazer parte do corpo docente da Faculdade de Filosofia de Itajaí, nasceu em 1905 em Montevidéu e faleceu em 2003 na cidade de Blumenau, no Lar São Simeão. Nas décadas de 50 e 60, ele viajou o mundo, observando e estudando os hábitos e costumes dos povos e, em cada cidade, deixou sua marca, acredita-se que ele tenha construído mais de 180 relógios de sol. Segundo a advogada Imerli Malz Nardes, a construção do relógio de Mafra está diretamente ligada ao de Rio Negro. “Além de construir, Carbajal voltava nas cidades para manutenção, numa dessas visitas em Rio Negro ele foi ate Mafra é construiu outro modelo”. Em Mafra a construção foi acompanhada pelo engenheiro Valdir Ruthes, que na ocasião almoçou com o professor.

Tecnologia trouxe facilidades
Hoje, os monumentos passam despercebidos, em grande parte pelas inovações tecnológicas, como explica a historiadora rionegrense Janaiana Aparecida Pinto. “O relógio de sol é um instrumento antigo, mas ainda atual, através dele constatamos que o ser humano desde os primórdios eram inteligentes ao ponto de observar que o movimento do sol poderia proporcionar a contagem do tempo. Para os jovens de hoje pode-se resgatar uma cultura não muito difundida devido à tecnologia, pois a facilidade do relógio de pulso e digital fez-se esquecer que o tempo pode ser contato da maneira mais simples possível”.

Erro em projeto
O monumento em Rio Negro perdeu parte de sua eficácia, com a revitalização da praça que ocorreu em 2005, o projeto não levou em conta a necessidade dos pontos cardeais desenhados no chão e cobriu com terra para o levantamento do canteiro.  Com isso o relógio ficou praticamente perdido em meu um canteiro de flores.

Fotos:

Foto: Douglas Dias
Em Rio Negro o Relógio do Sol tem entorno de 40 anos. Infelizmente um erro grave no projeto enterrou a base do relógio, dificultando a leitura correta das horas.

Foto: Douglas Dias

Foto: Douglas Dias
Mais que um ponto turístico, o Relógio do Sol mostra a evolução do homem através da história.    

Foto: Douglas Dias


2 comentários:

  1. Levo meus alunos todo ano para conhecer os dois relógios.Na época da refoma da praça, alertei o então vice prefeito sobre a necessidade de preservar as inscrições no chão , mas segundo ele seria necessário fazer um projeto e apresentar na Câmara Municipal constando argumentações para conservar as inscrições. Então desisti e a burocracia venceu a história...uma pena!

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